forum-maringa-3Técnicos e consultores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) realizaram três Fóruns de Pecuária de Baixa Emissão de Carbono no estado do Paraná, Londrina dia 06.11, em Bandeirantes dia 07.11 e Maringá dia 08.11, com o intuito de apresentar tecnologias para o reaproveitamento dos dejetos de bovinos de leite e corte, visando uma produção mais rentável e sustentável. Nestas ocasiões, o fiscal federal agropecuário do MAPA, Sidney Medeiros, iniciou os fóruns mostrando os principais pontos do Plano ABC e do projeto Pecuária de Baixa Emissão de Carbono. “Os dejetos incluem o material excretado pelos animais (urina e fezes), cama utilizada, água (de consumo e lavagem das instalações) e alimento desperdiçados e pelos”. Segundo Medeiros, além do problema das emissões de GEE, a simples aspersão dos dejetos bovinos em pastagens ou qualquer cultura, sem a adoção de práticas de manejo que possibilitem reduzir a transferência de contaminantes, pode aumentar o potencial de contaminação e colocar em risco a saúde dos animais e seres humanos.

Os consultores do MAPA também palestraram para mostrar maneiras viáveis de trabalhar com os dejetos. Cleandro Pazinato Dias, médico-veterinário e consultor do Projeto, apresentou o tema “Tecnologias de Produção Mais Limpa na Pecuária Intensiva”, com destaque para manipulação da dieta dos ruminantes. “Essa é uma das alternativas viáveis para diminuição da produção de metano, bem como redução das perdas energéticas pelo animal, já que uma nutrição adequada propicia o aumento das taxas de passagem e de fermentação e diminuição do tempo que o alimento permanece no rúmen. Essas condições reduzem a quantidade de hidrogênio disponível para produção de metano”, explica.

A palestra “Geração de Renda a partir dos Dejetos da Pecuária: Biofertilizante, Biogás e Energia Elétrica” proferida pelo médico-veterinário e consultor do MAPA, Fabiano Coser, trouxe o aproveitamento econômico por meio de processos tecnológicos. O tema abordou a separação de dejetos, biodigestores e produção de biogás, seu uso, bem com a compostagem dos dejetos e o uso dos biofertilizantes. “Existem muitas estratégicas para mitigação de metano. Cada uma apresenta suas vantagens e desvantagens, custos de implantação e aceitação pelos produtores. Para uma escolha adequada de qual estratégia adotar, se faz necessário ponderar a capacidade dela de reduzir as emissões juntamente com sua viabilidade econômica e influência sobre o desempenho animal”, resume.

Os encontros também contaram com conteúdo do pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcelo Otênio que abordou o manejo de resíduos em sistemas de produção de leite:  limpeza hidráulica dos pisos e produção de biofertilizante. Os técnicos e consultores tiveram a oportunidade de revisitar uma das fazendas que fez parte do levantamento de tais tecnologias que reduzem a emissão de carbono e favorecem o aproveitamento econômico dos resíduos da produção de bovinos de corte e de leite em sistemas confinados, realizado pelos consultores do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

whatsapp-image-2017-11-16-at-11-56-18-1 whatsapp-image-2017-11-16-at-11-56-18A Fazenda Santa Alice, no munícipio de Leópolis no extremo norte do estado do Paraná, atua no confinamento de gado de corte para acabamento. Desde 2011, a empresa utiliza o biodigestor para tratar os dejetos da produção e aplicar o biofertilizante na lavoura de soja e milho e ainda gerar energia reduzindo o custo da produção. O projeto para transformação dos dejetos em biogás começou em 2011 e hoje já produz energia para toda a fazenda. “Operando com menos da metade de nossa capacidade conseguimos produzir toda a energia necessária para a propriedade”, explica Leomar Monteiro. A Fazenda contou com o financiamento do Programa ABC para dar início a adaptação, que hoje conta também com a geração de biofertilizante líquido e sólido direcionado para o melhoramento das pastagens e também da produção de grãos. O projeto, contou com o financiamento do Programa ABC para dar início a adaptação. Com mais de 3,3 mil hectares, a propriedade possui mais de 800 hectares voltados para a produção de milho e soja e cerca de 1,7 mil hectares direcionados a pecuária de corte.

whatsapp-image-2017-11-16-at-11-56-10whatsapp-image-2017-11-16-at-11-56-20-1A produção de gado para a acabamento tem espaço para cerca de 800 cabeças, mas atualmente mantém entre 500 a 600 animais. “Com esse volume de cabeças, geramos 6.000 kg/dia de biofertilizante sólido e mais de 35.000 litros/dia, usados de forma distribuída nas pastagens e no sistema de irrigação das lavouras”, explica o gerente da propriedade, Leomar Monteiro. “Nossa capacidade hoje é de gerar gás para funcionar um motor gerador de 60 Kva, operando 24 horas”, esclarece. O sistema de transformação dos dejetos em biogás já produz cerca de 80% da energia necessária para toda propriedade.

 

Tayara Beraldi – Assessoria de Imprensa

PECUÁRIA DE BAIXA EMISSÃO DE CARBONO
Geração de valor na produção intensiva de carne e leite