MAPA coloca em Consulta Pública a Instrução Normativa de Abate Humanitário

MAPA coloca em Consulta Pública a Instrução Normativa de Abate Humanitário

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) colocou em Consulta Pública a Proposta de Instrução Normativa que aprova o Regulamento Técnico de Manejo Pré-Abate e Abate Humanitário.

A Consulta Pública, tem duração de 30 dias a contar do dia de hoje (18.05.2018), e tem como objetivo receber sugestões e comentários de órgãos, entidades ou pessoas interessadas no tema.

Esta Instrução Normativa (IN), quando regulamentada, revogará o atual documento em vigor que está ultrapassado, e se constituirá no documento mais importante relacionado ao bem-estar dos animais nesta etapa do ciclo de produção.

O documento proposto, contém requisitos relacionados a estrutura (veículos, instalações e equipamentos), cria o papel do responsável pelo bem-estar animal, estabelece medidas de controle e propõe uma lista de métodos de insensibilização a serem utilizados pelos estabelecimentos autorizados para o abate.

DOWLOAD DA INSTRUÇÃO NORMATIVA

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QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DAS BAIAS HOSPITAL EM GRANJAS DE CRESCIMENTO E TERMINAÇÃO DE SUÍNOS?

Apenas 0,73% dos animais estão alojados em baias hospital, com uma grande área disponível (4,1m2/animal) e baixa competição pelo alimento.

Baias hospital, também chamadas de enfermarias, são utilizadas na criação de suínos para facilitar o tratamento de animais doentes e separá-los dos saudáveis. Essas baias, localizadas dentro do próprio galpão de criação ou fora dele, em uma sala separada, devem propiciar um ambiente mais confortável e com menos disputa por comida, água e áreas de descanso, facilitando assim o tratamento e a recuperação do animal comprometido.

Um estudo avaliou 47 granjas de crescimento e terminação de suínos em uma região tradicional da suinocultura brasileira. Desse total, 46 granjas (97,87%) dispunham de ao menos uma baia hospital, totalizando 150 baias no somatório das explorações estudadas. Em 42 (91,30%) granjas e em 97 (64,67%) baias havia pelo menos um animal alojado, sendo que, dos 41.111 animais nos lotes avaliados, 299 (0,73%) estavam alojados nas enfermarias. Com a pesquisa foi possível evidenciar pontos positivos, como o grande espaço disponível por animal (média de 4,1 m2/suíno), a pouca disputa por água (média de 2,5 animais por bebedouro) e por comida (média de 1,5 animais por espaço de comedouro).

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Embora essas baias permitam um baixo nível de competição por espaço e alimento entre os animais, nenhuma possuía abrigo, algum tipo de cama (ex: palha) ou aquecimento para os leitões e poucas dispunham de materiais de enriquecimento ambiental. Concluímos que as baias hospital estão presentes em quantidade suficiente para alojar os suínos com problemas, entretanto, alguns aspectos estruturais podem ser melhorados.

Autores: Carlos Pierozan, Luciana Foppa, Caio Abércio e Cleandro Dias

Os trabalhos relacionados à pesquisa podem ser acessados em:

https://www.researchgate.net/publication/312192099_Estrutura_fisica_de_baias_hospital_em_granjas_de_crescimento_e_terminacao_de_suinos

https://www.researchgate.net/publication/321845949_Environment_facilities_and_management_of_hospital_pens_in_growing_and_finishing_pig_farms_A_descriptive_study

 

COMO OS SUÍNOS COMPROMETIDOS SÃO MANEJADOS NO DIA-A-DIA DAS GRANJAS?

COMO OS SUÍNOS COMPROMETIDOS SÃO MANEJADOS NO DIA-A-DIA DAS GRANJAS?

Em 93,48% dos casos, o critério utilizado para transferência dos suínos para as baias hospital se relacionava com animal debilitado, machucado ou outro tipo de sofrimento.

Na produção de suínos, a correta identificação de animais doentes ou feridos no meio de animais sadios e a tomada rápida de decisão quanto ao seu tratamento e forma de manejo são pontos que podem favorecer sua recuperação, refletindo positivamente sobre o bem-estar animal e o retorno econômico ao produtor.

Com o objetivo de caracterizar os manejos e as causas de transferências para as baias hospital, um estudo avaliou 47 granjas de crescimento e terminação de suínos. Dos 299 animais alojados nas baias hospital dessas granjas, 34 (11,4%) estavam lá mantidos devido a algum problema respiratório. Essa foi a principal razão de segregar os animais na enfermaria, seguido por problemas locomotores, prolapso retal e encefalite.

Como critério utilizado para transferência de um animal para a baia hospital, em 43 granjas (93,48%) os entrevistados hospitalizam os animais quando julgam que esses estão debilitados, machucados ou sofrendo. Ademais, 41 (89,13%) relataram fazer essa transferência imediatamente, o que é considerado adequado. slide1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dentre outros resultados, foi constatado que em 22 granjas (47,83%) nenhum manejo diferenciado era adotado com os animais hospitalizados em relação aos não hospitalizados, enquanto que em 18 (39,13%) havia alguma prática diferenciada relacionada à limpeza das baias hospital. Quanto aos animais recuperados, devido às diversas respostas ficou evidente não haver um padrão quanto ao destino desses animais, sendo que 10 entrevistados (21,73%) relataram retornar os suínos recuperados à baia de origem, o que pode desencadear agressões e brigas.

É necessário definir padrões de manejo para os suínos com problemas, a fim identificar precocemente estes animas com critérios claros de remoção, agilizando a transferência para as baias enfermarias e adoção de protocolos de tratamento. Assim, evitamos um comprometimento maior no bem-estar e evitamos perdas produtivas.

Autores: Carlos Pierozan, Luciana Foppa, Caio Abércio e Cleandro Dias

Os trabalhos relacionados à pesquisa podem ser acessados em:

 

É IMPORTANTE CONSIDERAR A QUALIDADE DE VIDA DOS SUÍNOS DO NASCIMENTO AO ABATE

É IMPORTANTE CONSIDERAR A QUALIDADE DE VIDA DOS SUÍNOS DO NASCIMENTO AO ABATE

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Quando tratamos do bem-estar dos suínos, é importante ponderar sobre todas as etapas do ciclo de produção, dedicando especial atenção para as fases de produção, transporte e abate.

 

O bem-estar animal é um tema que tem ganhado destaque junto da sociedade. Na cadeia da produção da carne suína, destaca-se o intenso trabalho realizado por empresas do segmento em equacionar os principais problemas relacionados ao tema, buscando soluções sustentáveis que contemplem a qualidade de vida dos animais sem afetar a rentabilidade do setor.

Na fase de produção, etapa em que os suínos permanecem na granja, destacam-se os esforços na transição para o alojamento coletivo de matrizes gestantes, a redução das práticas de manejo que causam dor (desgaste de dentes, corte de cauda, castração cirúrgica e a mossagem), a busca por melhorarias no conforto térmico em todas os setores das unidades (climatização), os cuidados especiais para recuperar os animais enfermos nas baias hospitais e os procedimentos na fase final da vida para os animais inviáveis (eutanásia).

Na fase de transporte, que pode ser entre as granjas (sítios) ou na etapa final entre as granjas e os abatedouros, são considerados os cuidados com o jejum, com a seleção dos animais aptos a serem transportados e a densidade na carga. Também devem ser considerados os impactos da qualidade dos veículos, dos equipamentos e dos pisos/rampas nos resultados esperados. A etapa de transporte, exige intenso planejamento, organização, capacitação e comprometimento dos envolvidos.

Na fase de indústria, o curto e importante período em que os animais esperam para serem abatidos pode colocar em risco os resultados das etapas anteriores caso não obedeçamos a critérios que enfoquem o bem-estar animal. Nesta etapa, a sincronia entre granja/transporte/indústria tem alta relevância. Ressalta-se as condições e o tempo de espera, a condução dos animais até a insensibilização, a insensibilização propriamente dita e a etapa final eu culmina com a sangria dos suínos.

Importante considerar que a capacitação das equipes é uma das chaves do sucesso de todos estes processos que primam pela melhoria dos cuidados com os animais.